| Museu do Marajó pede socorro . . . |
| Diário do Pará | ||||||
| 04-Dec-2009 | ||||||
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Na situação atual, o museu vai fechar”. A declaração, feita com muito pesar, é de Antônio Smith, presidente do Museu do Marajó. No começo deste mês, por conta das irregularidades no repasse de verbas feito pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult), a instituição marajoara ficou às escuras: a energia elétrica foi cortada, depois de três meses de débito com a Celpa. A situação extremada impediu não só o funcionamento do espaço físico, mas também afetou a realização das atividades sociais e culturais promovidas pelo museu. . A luz só foi religada no último dia 19, após uma negociação com a Celpa, na qual o museu se comprometeu a pagar uma das contas atrasadas, no valor de R$ 2,4 mil. “Foi só uma negociação. Ainda estamos levantando dinheiro com amigos e sócios do museu”, diz Antônio Smith. O corte de energia elétrica foi o estopim. A situação de penúria do Museu do Marajó não é de hoje. “Nunca tivemos apoio financeiro de fato. Só conseguíamos ajuda de vez em quando, para reformar o telhado, consertar uma coisa aqui, outra ali, com a ajuda de algum deputado”, diz Antônio. De acordo com o presidente do museu, foi apenas na atual gestão governamental que o convênio de apoio financeiro mensal foi estabelecido – primeiramente no valor de R$ 2 mil, passando em seguida para R$ 3 mil, recurso que o museu deveria estar recebendo. Porém, desde janeiro deste ano, a instituição não recebe regularmente o recurso. Antônio afirma que apenas 1/6 do valor foi repassado. “Em dez meses deveríamos ter recebido R$ 30 mil, mas recebemos só R$ 5 mil. Isso dificultou muito a manutenção de nossas contas em dia. Para você ter uma ideia, só a nossa conta de energia elétrica é mais de R$ 2 mil todo mês. Procuramos a Secult, mas nos disseram que não há dinheiro por causa da crise (mundial). Eles estão cientes do drama”, diz. Além da verba da Secult, o Museu do Marajó recebe R$ 600 em ajuda de custo da Prefeitura Municipal de Cachoeira do Arari, que também cede funcionários para trabalhar na instituição. Mas, R$ 3,6 mil estão longe dos R$ 15 mil necessários para manter o espaço em condições ideais. “Esse seria o valor ideal, mas se tivéssemos R$ 5 mil já estaríamos contentes, já seria bom demais”, diz ele, serenamente. A receita complementar vem do dinheiro arrecadado com a bilheteria do museu, que vende ingressos a R$ 2; e ainda da mensalidade de R$ 3 paga pelos cerca de 400 sócios da entidade, além da venda de livros e artesanato. Essa receita, no entanto, oscila de acordo com o calendário. “No período das chuvas, o número de visitantes cai muito”, afirma Antônio. PROJETOS Ao longo dos anos, o museu tornou-se um importante centro de ações socioculturais no Marajó, com oficinas de cidadania, arte e música, e a manutenção de uma biblioteca pública com projetos de incentivo à leitura. O projeto Banda de Música, por exemplo, reúne cerca de 50 crianças; na Escola de Música são mais 80; e na Escola de Confecção de Instrumentos Musicais, 60. “Precisamos do mínimo de estrutura para continuar desenvolvendo esses projetos. Não temos mais receita para fazer nada”, desabafa o presidente do museu. PARCERIAS A ONG holandesa Terres des Hommes apoia atualmente as ações e projetos culturais da instituição, como “Música no Museu – Um Caminho para as crianças do Marajó”. Há também uma parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, que por meio do projeto Territórios da Cidadania – criado para melhorar a qualidade de vida de brasileiros que moram em áreas rurais –, concedeu ao museu a condição de coordenador do projeto “Território da Cidadania Marajó”. O governo federal repassou uma verba de R$ 106 mil, mas esse dinheiro não pode ser utilizado para o pagamento de despesas como luz, água e telefone. “É um dinheiro específico para o projeto. Somos apenas o contratante. Não posso tirar um centavo de lá, sob risco de ser penalizado”, explica. A esperança do Museu do Marajó repousa agora na visita da comissão técnica do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), órgão ligado diretamente ao Ministério da Cultura, que está prevista para janeiro de 2010. “Esperamos essa visita para saber o que eles podem fazer por nós, mas não tem nada certo”, finaliza. Fotos: Dário Pedrosa
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