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Soure é onde se aprende a fazer a Moqueca de Filhote
Globo Rural   
19-Apr-2009

O Globo Rural foi à Ilha do Marajó, no Pará, para saber como é preparada uma moqueca de filhote, um peixe amazônico, cozido no leite da búfala. E conhecer também o turu, um molusco muito apreciado pela região. Esta é a última reportagem da série sobre a culinária paraense.

Com cerca de 50 mil quilômetros quadrados, a Ilha do Marajó tem tamanho de Estado. É uma área equivalente, por exemplo, ao Rio de Janeiro.

A ilha fica na foz do Rio Amazonas e encanta pela diversidade. Praias, lagos, igarapés, florestas dão vida a um sem número de espécies animais, como o guará, uma das mais belas aves do Brasil e símbolo do Marajó.

Esse santuário ecológico preserva suas tradições na cerâmica marajoara; em danças, como o carimbo; e na culinária.

A equipe de reportagem chegou pela baía de Marajó, no lado leste da ilha, com chuva. Pancadas rápidas e passageiras fazem parte do cotidiano. O destino é Soure, uma das principais cidades da ilha.

Com pouco mais de 21 mil habitantes, Soure é conhecida como a "pérola marajoara" ou "capital do búfalo", e atrai turistas do mundo todo.

No lugar fica a sede Fazenda São Jerônimo, um hotel fazenda. Quem recebe a equipe e o proprietário, Raimundo Brito, o seu Brito, marajoara legítimo, como gosta de dizer.

“O búfalo se adaptou bem ao Marajó porque é uma região pantanosa. Atualmente o búfalo serve para praticamente tudo”, disse seu Brito.

Na Ilha do Marajó tem mais búfalo do que gente. São 270 mil cabeças. É o maior rebanho do país.

A dona Jerônima é esposa do seu Brito. Chefiando a cozinha da fazenda, acabou se tornando referência em culinária marajoara. Ela desenvolveu uma série de receitas com ingredientes típicos, a mais famosa delas, premiada em festivais de gastronomia, é uma moqueca nada tradicional. “É moqueca de filhote no leite de búfala”, disse.

O filhote é, na verdade, a piraíba, peixe de couro que vive nas bacias amazônica e Araguaia-Tocantins. Ele é enorme, chega a dois metros de comprimento e 300 quilos. A carne é rígida, fibrosa, só apreciada quando o peixe ainda é jovem e tem no máximo 60 quilos. Daí o apelido: "filhote".

Para um quilo de filé de filhote temperado com limão e sal, a dona Jerônima usa:

Tomate picado e cebola picada
3 colheres de sopa cada um
1 pimentão picado
2 colheres de sopa de pimenta cheirosa
2 colheres de sopa de cheiro verde
2 colheres de sopa de urucum
1 colher de chá de alho picado
5 colheres de sopa de azeite de oliva
1 ½ litro de leite de búfala
cebola, tomate e pimentão em rodelas para enfeitar o prato
sal a gosto

A dona Jeronima divide os ingredientes em três partes para fazer a moqueca em camadas. Ela coloca um terço da cebola, do peixe, da pimenta cheirosa, do tomate, do pimentão, do cheiro-verde e do leite. E repete tudo mais duas vezes. Depois, coloca o alho cru. A dona Jeronima deixa ferver um pouco e ainda acrescenta a cebola, o tomate e o pimentão em rodelas para enfeitar.

A moqueca ainda descansa na panela de pedra por cerca de dez minutos, fora do fogo. Enquanto a moqueca fica no ponto, a dona Jeronima costuma servir uma sopinha de turu com tucupi de entrada.

Para conhecer o turu é preciso entrar no mangue. Além do seu Brito, vai o Hamilton de Souza, um turuzeiro experiente e um funcionário da fazenda. O mangue é fechado. Uma ponte de bambu improvisada ajuda no deslocamento. Eles buscaram troncos de mangueiro, árvore de grande porte muito comum na região.

Assim como a ostra ou o marisco, o turu é um molusco. Com seu corpo alongado e cilíndrico, lembra uma lombriga. É da família dos teredinídeos e ocorre em ambiente de água salobra, em manguezal.

Com seus dois dentões, o turu se alimenta da madeira e pode chegar a um metro de comprimento. É importante para decompor a matéria orgânica do mangue, mas pode ser um terror para embarcações.

Os turus seriam, até, os responsáveis pelo naufrágio da Caravela Vizcaina, que integrava a frota da quarta e última viagem de Cristóvão Colombo à América.
No Marajó, tornou-se alimento importante para os ribeirinhos.

O Hamilton explicou que há muitas formas de saborear o turu, com limão, no tucupi, no sumo do coco. O jeito bom de comer é tirar do mangueiro e comer. Com um pauzinho o Hamilton fura a barriga do turu e limpa. Joga uma água e come.

A moqueca é servida com arroz e pirão.

Comentários
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SANDRA MONICA  - NOTICIA   |10/02/10
OI GUARANI EU SOU SANDRA SUA IRMÃ ESTAMOS PREOCUPADOS COM VC, WALDICE TE MANDOU EMAIL E TE LIGOU PRO CEL QUE ESTA EM SUA PG , E NGM ATENDE E NEN AO EMAIL VEIO RESPOSTA FAVOR SE ESTIVER TENDO ACESSO A PG NOS DE NOTICIAS , E NOSSA MÃE FALECEU , POR FAVOR APAREÇA , BJS FRATERNOS.
GUARANY MONICA MATTOS  - PROCURO EMPREGO EM HOTELARIA   |16/12/09
Procuro emprego na area de hotelaria,sou formado em Adm hoteleira,tendo otima experiencia no setor,sou branco,45 anos,separado,nao fumante,natural de Cabo Frio/Rj.
Tel(11) 94629118
Edinalva  - Resposta ao comentário   |30/04/09
Acho oportuno falar sobre a ausência de tantas situações importantes como falta de emprego, etc.,para a demanda de soure,como bem foi colocado no comentário acima, porém, acho de fundamental importância a publicação de matérias que visem o turismo e a geração de renda para a cidade. È isso mesmo, não temos muito para onde correr,visitei a pouco tempo (17 à 22/04/09)a cidade de Breves e Portel e só para terem uma idéia, nem turismo lá existe. O que tem aos montes são denúncias de pedofilia, tráfico de drogas e de mulheres e muita, muita pobreza na área ribeirinha,imaginem crianças de 4 e 5 anos remando um barquinho em plena baía atrás de comida, dinheiro e outros produtos atirados do navio por pessoas de bem. É lamentável,muito triste mesmo. Tudo isso completa o desnível social daquela área do Marajó. Acho que a cidade de Soure está de parabéns pelo pouco que consegue investir no turismo e no bem estar das pessoas que lá vivem. Precisa melhorar bastante, mas acredito que o caminho é este. Boa sorte pra vc SOURE!
Anastácio  - promoção da culinária   |24/04/09
Se os cofres públicos fossem pagar o real valor da publicidade gratuita obtida com a matéria que levou Soure para o mundo, a receita da Prefeitura de um ano não seria suficiente para arcar com a despesa. Agora vamos investir na cidade, nas pessoas para que o turista seja bem recebido e volte. Caso contrário vamos ter mais uma temporada de choros e lamentações com a falta de emprego, renda, trabalho e vergonha na cara.
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